A mancha de óleo no Nordeste continua se deslocando na direção sul. No dia 11, sexta-feira, chegou a Salvador, onde foram identificados pequenos pontos de óleo na areia de seis praias da cidade.

48 horas depois da chegada do óleo, não há novas praias atingidas na cidade. Foram retirados apenas 40 kg de óleo das praias com vestígios. Não se verifica em Salvador o que aconteceu em dois pontos d4 Praia do Forte.

Praia do Forte, que tinha sido classificada pelo Ibama na categoria mais grave, “manchas”, entrou em processo de limpeza, juntamente com a vizinha Guarajuba.

Todas as praias são atingidas igualmente?

Assim como acontece com a trajetória de furacões no Caribe, a mancha de óleo no mar tem causado estragos desiguais por onde passa, porque não é sempre que vem dar na praia — e quando chega à areia, a intensidade dessa chegada varia.

Algumas praias sofrem com grandes manchas de óleo, enquanto outras apresentam apenas vestígios esparsos. Outras ainda conseguem ser inteiramente poupadas.

Pouquíssimas praias foram interditadas pelas autoridades — e quando ocorreu, foi por pouco tempo, como aconteceu com a Praia do Futuro em Fortaleza. A prefeitura de Salvador é a que está agindo de maneira mais preventiva, não recomendando (sem no entanto interditar) o banho em 6 praias da cidade: Flamengo, Itapuã, Piatã, Jardim de Alah, Jardim dos Namorados e Buracão.

Até agora, apenas Sergipe decretou estado de emergência por causa do óleo. Espera-se que nesta segunda-feira dia 14 a Bahia decrete estado de calamidade para facilitar o socorro aos locais atingidos.

Há casos pontuais de proibição de pesca ou extração de ostras de mangue, nos pontos em que grandes manchas chegaram à praia. Mas não nenhum lugar decretou proibição de consumo de pescados.

Veja:

O que diz o Ibama

É possível acompanhar pelo site do Ibama a situação do óleo nas praias do Nordeste.

O PDF com a lista e o mapa das praias atualizada em 13 de outubro está neste link.

Para encontrar alguma informação, no entanto é preciso usar o zoom.

A lista de praias é difícil de consultar, porque não está organizada nem em ordem geográfica, nem alfabética, mas em ordem cronológica das primeiras vistorias. Num mesmo local pode haver uma nova coluna, onde vai constar a data da vistoria mais recente.

As praias estão classificadas em quatro categorias:

  • Sem vestígios de óleo (bolinha verde)
  • Com vestígios esparsos de óleo (bolinha cinza)
  • Com manchas de óleo (bolinha preta)
  • Em limpeza (bolinha amarela)

Infelizmente nem todas as praias mais conhecidas estão listadas. Lugares como Maragogi, São Miguel dos Milagres, São Miguel do Gostoso e Canoa Quebrada estão fora da lista, não aparecem nem como “sem vestígios”.

As novidades

O relatório do fim da tarde do dia 11 de outubro traz uma péssima notícia: a situação piorou em Praia do Forte. A praia agora faz parte das praias com manchas de óleo, a categoria mais afetada.

A boa novidade dos últimos relatórios é o registro de bolinha verde (sem óleo) para as praias de Porto de Galinhas e Carneiros, em Pernambuco (apesar de Tamandaré, vizinha a Carneiros, ter vestígios de óleo).

As grandes manchas

Segundo o relatório do Ibama, o trecho mais prejudicado vai do extremo sul de Alagoas (Piaçabuçu) ao extremo norte da Bahia (Conde), onde foram detectadas grandes manchas de óleo na areia.

O litoral de Sergipe é o que tem mais pontos de óleo.

Praias com manchas de óleo

Estas praias figuraram na categoria ‘Oleada’ do relatório do Ibama em algum momento entre 30 de agosto e 5 de outubro de 2019

Alagoas
Barra de Santo Antônio
Coruripe
Gunga
Lagoa do Pau
Piaçabuçu

Bahia
Baixio
Conde
Jandaíra

Sergipe
Estância

Os vestígios esparsos

A categoria seguinte, de vestígios esparsos de óleo, traz praias onde há pequenos pontos de óleo bruto espalhados pela areia (que logo viram piche). Esse óleo não chega a tingir a areia de preto: são pintinhas que passam por pedras, folhas ou sujeira.

Mesmo que esses vestígios não cheguem a agredir visualmente, é difícil escapar de pisar num deles e sair com o pé carimbado. E para tirar, dá um trabalhão.

Nesta categoria, Alagoas apresenta vestígios de norte a sul (com exceção da região de Maragogi e São Miguel dos Milagres, que estranhamente — dada a fartura de informações do resto do estado — não está informada em nenhuma categoria).

Os pontos de piche também foram registrados em partes diversas do Ceará, em todo o sul do Rio Grande do Norte e em Pernambuco praticamente todo. A Paraíba tem focos de pixe em algumas praias da costa de Conde, ao sul de João Pessoa.

Praias com vestígios de óleo

Estas praias figuraram na categoria ‘Vestígios/Esparsos’ do relatório do Ibama em algum momento entre 30 de agosto e 5 de outubro de 2019

Alagoas
Barra de Santo Antônio
Barra de São Miguel
Carro Quebrado
Gunga
Ipioca (Maceió)
Japaratinga
Pajuçara (Maceió)
Paripueira
Ponta Verde (Maceió)
Praia do Francês

Bahia
Arembepe
Guarajuba
Imbassaí
Mangue Seco
Porto Sauípe

Ceará
Fortim
Lagoinha
Morro Branco
Paracuru
Prainha
Taíba

Maranhão
Ilha do Livramento (Alcântara)
Travosa (litoral de Santo Amaro)

Paraíba
Praia do Amor (Conde)
Gramame (Conde)
Tambaba (Conde)

Pernambuco
Boa Viagem (Recife)
Paiva (Recife)
Tamandaré

Piauí
Luís Correia

Rio Grande do Norte
Alagamar (Natal)
Baía Formosa
Búzios (Natal)
Genipabu
Maracajaú
Pirangi do Norte e do Sul (Natal)
Praia do Amor (Pipa)
Sagi
Redinha
Sibaúma (Pipa)
Tibau do Sul
Via Costeira (Natal)

Praias sem vestígio de óleo

Como nem todas as praias mais conhecidas estão citadas, não dá par para intuir que basta não estar nas listas de praias com óleo para uma praia estar livre de óleo.

Entre as praias que o relatório do Ibama afirma não terem óleo (até o momento), o estado que se sai melhor é a Paraíba, com praias limpas em quase toda a extensão (exceto um trechinho em Conde).

O Rio Grande do Norte, que apresentou pixe nas praias do sul, está livre de óleo em muitas praias do norte. Natal se enquadra nas duas categorias: tem praias sem óleo e outras com. A praia central de Pipa também parece estar livre de óleo (apesar de praias vizinhas, como a Praia do Amor e a Praia das Minas, apresentarem vestígios).

Jericoacoara está sem óleo (a medição foi feita na praia Malhada). Depois de anunciada como “com manchas de óleo”, a Praia da Lama, em Cajueiro da Praia (perto de Barra Grande do Piauí), teve sua situação revertida para “não observado” (sem óleo), devido a limpeza natural.

Praias livres de óleo

Estas praias figuraram na categoria ‘Não observado’ do relatório do Ibama em algum momento entre 30 de agosto e 5 de outubro de 2019

Ceará
Malhada (Jericoacoara)

Maranhão
Av. Litorânea (São Luís)
Canto do Atins

Paraíba
Barra de Mamanguape
Cabo Branco (João Pessoa)
Camboinha e Poço (Cabedelo)
Praia Bela (Pitimbu)
Tambaú (João Pessoa)

Pernambuco
Carneiros
Porto de Galinhas
São José da Coroa Grande

Piauí
Praia da Lama (Cajueiro da Praia)
Praia do Arrombado (Luís Correia)
Praia do Coqueiro (Luís Correia)

Rio Grande do Norte
Barra do Cunhaú
Cotovelo (Natal)
Jacumã
Muriú
Perobas
Ponta Negra (Natal)
Praia de Pipa
Rio do Fogo/Zumbi
Rio Punaú
Touros

Sergipe
Pacatuba

Praias em operação de limpeza

Ibama e Petrobrás estão engajados numa operação de limpeza das praias afetadas. De acordo com a nota do Ibama, integrantes das comunidades estão sendo contratados e treinados para limpar todas as praias. As operações de limpeza dependem da conclusão do treinamento.

Esperemos que essa categoria cresça nos próximos dias…

Praias em limpeza

Estas praias figuraram na categoria ‘Em limpeza’ do relatório do Ibama em algum momento entre 30 de agosto e 5 de outubro de 2019

Bahia
Guarajuba
Praia do Forte
Sítio do Conde

Ceará
Sabiaguaba (Fortaleza)

Rio Grande do Norte
Camurupim (Natal)
Pirambúzios (Natal)

Sergipe
Abaís
Atalaia (Aracaju)
Barra dos Coqueiros (Aracaju)
Mosqueiro (Aracaju)

ASSISTA O VÍDEO

Com informações do Ibama