O ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, delator da Operação Lava Jato. Paulo Lisboa/Brazil Photo Press/Folhapress

A construtora OAS pagou R$ 125 milhões em propina e caixa 2 a pelo menos 21 políticos de 8 partidos, entre 2010 e 2014, segundo os depoimentos de oito ex-executivos da empreiteira que firmaram acordo de colaboração premiada. A delação foi homologada em julho do ano passado pelo ministro Edson Fachin, relator da operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).

O conteúdo da delação está sob sigilo, mas o jornal O Globo teve acesso a um relatório da Procuradoria-Geral da República que resume as declarações dos ex-funcionários em 217 depoimentos. Os executivos atuavam na “Controladoria de Projetos Estruturados”, o departamento clandestino da OAS.

O esquema ilegal da construtora envolvia o superfaturamento de obras emblemáticas, como estádios da Copa de 2014, a transposição do Rio São Francisco, o Porto Maravilha, no Rio, e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste, além de empreendimentos no exterior. Mas há casos de mesadas e contratos fictícios.

Quem são os políticos acusados e quanto receberam cada

Entre os acusados de receber propina estão, por ordem de valor recebido (do maior para o menor):

Eduardo Cunha (MDB-RJ), ex-presidente da Câmara dos Deputados, que está preso e condenado na Lava Jato: R$ 29,6 milhões em propina

Eduardo Paes (MDB), ex-prefeito do Rio de Janeiro: R$ 25 milhões em caixa 2

Rosalba Ciarlini (PP), ex-governador do Rio Grande do Norte: R$ 16 milhões em caixa 2

Sergio Cabral (MDB), ex-governador do Rio de Janeiro, preso e condenado na Lava Jato: R$ 10 milhões em caixa 2

Vital do Rêgo, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU): R$ 3 milhões em propina.

Fernando Pimentel (PT), ex-governador de Minas Gerais: R$ 2,5 milhões em propina

Edison Lobão (MDB-MA), ex-senador: R$ 2,1 milhões em propina

Eunício Oliveira (MDB-CE), ex-presidente do Senado: R$ 2 milhões em caixa 2

Aécio Neves (PSDB-MG), ex-senador e atual deputado federal: R$ 1,2 milhão em caixa 2

Índio da Costa (PSD-RJ), ex-deputado federal: R$ 1 milhão em repasse de “valores espúrios”

Jaques Wagner (PT-BA), ex-governador da Bahia e atual senador: R$ 1 milhão em propina

José Serra (PSDB-SP), senador: R$ 1 milhão em caixa 2

Marco Maia (PT-RS), ex-presidente da Câmara dos Deputados: R$ 1 milhão em caixa 2

Nelson Pelegrino (PT-BA), deputado federal: R$ 1 milhão em caixa 2

Valdemar da Costa Neto (PR-SP), ex-deputado condenado no mensalão do PT: R$ 700 mil em propina

Lindbergh Faria (PT-RJ), ex-senador: R$ 400 mil em pagamento para serviços do publicitário João Santana

Marcelo Nilo (PSB-BA), deputado federal: R$ 400 mil em propina

Flexa Ribeiro (PSDB-BA), ex-senador: R$ 150 mil em caixa 2

Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados: R$ 50 mil em caixa 2

Geddel Vieira Lima (MDB-BA): ex-deputado, réu no caso do bunker de R$ 50 milhões: R$ 30 mil em contrato fictício

José Sérgio Gabrielli (PT-BA), ex-presidente da Petrobras: R$ 10 mil em mesada

Outro lado

Procurados pelo jornal O Globo, os citados refutaram as acusações ou negaram-se a comentá-las. A OAS é a última das grandes empreiteiras atingidas pela Lava Jato cujos executivos assinaram um acordo de delação premiada.

No relatório enviado ao Supremo, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pede o envio de depoimentos da delação dos ex-executivos para até nove estados onde a Justiça de primeira instância investiga políticos que receberam dinheiro sujo da OAS.

Ela também solicita que as acusações dos ex-funcionários sejam anexadas a inquéritos que tramitam no Supremo e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) de modo a embasar investigações contra políticos com foro privilegiado.