No estado de São Paulo as mortes de motociclistas lideraram o ranking macabro, com 33,7% do total de acidentes fatais em 2017. Número semelhante foi observado na estatística nacional: das 38.651 mortes registradas pela estatística mais recente, 12.126 eram motociclistas (31,4%). E mais: as mortes de motociclistas correspondem a 74% das indenizações do DPVAT por morte, ainda que as motos correspondam a apenas 24% da frota nacional

Mas como acontecem estes acidentes? Serão os motociclistas vítimas de maus motoristas? Das vias mal cuidadas? Da própria irresponsabilidade? Como vimos ontem, não existem estudos contínuos ou investigações de acidentes, mas os poucos estudos que foram realizados podem ajudar a entender como e por que estes acidentes estão acontecendo.

Um deles é o estudo feito pela seguradora BB/Mapfre em parceria com o Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi Brasil) em 2014. Este estudo analisou uma amostragem de acidentes fatais com motociclistas em todo o Brasil e concluiu que em 73% dos casos o acidente acontece por falta de perícia ou imprudência do condutor (sendo 26,5% por perda do controle da moto e 4% por embriaguez), sem envolvimento de nenhum outro veículo. As colisões com carros eram responsáveis por 12% dos acidentes, a colisão com caminhões correspondia a 7% (16,5% dos acontecem por invasão da faixa/pista contrária), o choque com animais é fator determinante em 6% dos casos, falha mecânica em 1% e conservação da via o outro 1%.

O fato de a maioria dos acidentes acontecerem por perda do controle da moto indicam que há uma falta de preparo do condutor, que não tem habilidade suficiente para controlar a moto ou conduzir em situações de maior risco. Segundo especialistas em pilotagem, isso se deve principalmente por que a preparação do motociclista durante o processo de habilitação é insuficienteNão há prática de frenagem e trocas de marcha, não há lições sobre a dinâmica das motos, muito menos aprendizado em ambiente real como acontece com os carros. Assim, apesar de habilitado, o motociclista está despreparado para lidar com as situações reais — o que inclui identificar riscos e práticas defensivas. E isso reflete no comportamento dos motociclistas no trânsito.

Entre os outros motivos para os acidentes, também estão a falta de manutenção adequada das motos — um dos acidentes da marginais de São Paulo, aliás, é atribuído pela família da vítima a uma falha do freio traseiro da moto — e até mesmo a falta de equipamentos de segurança, que vão desde jaquetas e capacetes adequados, aos sistemas CBS/LBS (combined braking system ou linked braking system). Este sistema, como seu nome sugere, combina a frenagem das duas rodas da moto em um único acionamento, tornando a frenagem mais eficiente e segura do que pelo acionamento individual dos freios. Assim como os carros são obrigados a ter ABS, as motos também poderiam ter tais sistemas instalados de fábrica por força de lei — especialmente quando as técnicas de frenagem não são ensinadas na habilitação.

Fonte> Revista Flat out